Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008
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publicado por Teca às 05:44
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Segunda-feira, 2 de Junho de 2008
Como se a Pedra


Escuto como se a pedra
cantasse. Como
se cantasse nas mãos do homem.
Um rumor de sangue ou ave
sobe no ar, canta com a pedra.
A pedra nas suas mãos
obscuras. Aquecida
com o seu calor de homem.
O seu ardor
de homem. Escuto
como se fora a minúscula
luz mortal que das entranhas
lhes subisse à garganta.
A sua mortalidade
de homem. Canta com a pedra.

Eugénio de Andrade



publicado por Teca às 04:25
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Não quero, não

Não quero, não

 

Não quero, não

 

Não quero, não quero, não,

 

ser soldado nem capitão.

 

Quero um cavalo só meu,

 

seja baio ou alazão,

 

sentir o vento na cara,

 

sentir a rédea na mão.

 

Não quero, não quero, não

 

ser soldado nem capitão.

 

Não quero muito do mundo:

 

quero saber-lhe a razão,

 

sentir-me dono de mim,

 

ao resto dizer que não.

 

Não quero, não quero, não,

 

ser soldado nem capitão.

 

 

Eugénio de Andrade

 



publicado por Teca às 04:23
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Destino


Quem disse à estrela o caminho
Que ela há-de seguir no céu?
A fabricar o seu ninho
Como é que a ave aprendeu?
Quem diz à planta - “Floresce!” -
E ao mudo verme que tece
Sua mortalha de seda
Os fios quem lhos enreda?


Ensinou alguém à abelha
Que no prado anda a zumbir
Se à flor branca ou à vermelha
O seu mel há-de ir pedir?


Que eras tu meu ser, querida,
Teus olhos a minha vida,
Teu amor todo o meu bem…
Ai! não mo disse ninguém.
Como a abelha corre ao prado,
Como no céu gira a estrela,
Como a todo o ente o seu fado
Por instinto se revela,
Eu no teu seio divino
Vim cumprir o meu destino…
Vim, que em ti só sei viver,
Só por ti posso morrer.


Almeida Garrett



publicado por Teca às 04:20
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Nuvens correndo num rio

 

Nuvens correndo num rio

Quem sabe onde vão parar?
Fantasma do meu navio
Não corras, vai devagar!

 

Vais por caminhos de bruma
Que são caminhos de olvido.
Não queiras, ó meu navio,
Ser um navio perdido.

 

Sonhos içados ao vento
Querem estrelas varejar!
Velas do meu pensamento
Aonde me quereis levar?

 

Não corras, ó meu navio
Navega mais devagar,
Que nuvens correndo em rio,
Quem sabe onde vão parar?

 

Que este destino em que venho
É uma troça tão triste;
Um navio que não tenho
Num rio que não existe.

 

Natália Correia



publicado por Teca às 04:16
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Bicicleta de Recados

 

Na minha bicicleta de recados
eu vou pelos caminhos.
Pedalo nas palavras atravesso as cidades
bato às portas das casas e vêm homens espantados
ouvir o meu recado ouvir minha canção.

 

Na minha bicicleta de recados
eu vou pelos caminhos.
Vem gente para a rua a ver a novidade
como se fosse a chegada
do João que foi à Índia
e era o moço mais galante
que havia nas redondezas.
Eu não sou o João que foi à Índia
mas trago todos os soldados que partiram
e as cartas que não escreveram
e as saudades que tiveram
na minha bicicleta de recados
atravessando a madrugada dos poemas.

 

Desde o Minho ao Algarve
eu vou pelos caminhos.
E vêm homens perguntar se houve milagre
perguntam pela chuva que já tarda
perguntam pelos filhos que foram à guerra
perguntam pelo sol perguntam pela vida
e vêm homens espantados às janelas
ouvir o meu recado ouvir minha canção.

 

Porque eu trago notícias de todos os filhos
eu trago a chuva e o sol e a promessa dos trigos
e um cesto carregado de vindima
eu trago a vida
na minha bicicleta de recados
atravessando a madrugada dos poemas.

 

Manuel Alegre



publicado por Teca às 04:11
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Quarta-feira, 14 de Maio de 2008
Faleceu ontem a pessoa que atrapalhava sua vida...

Faleceu ontem a pessoa que atrapalhava sua vida...

Um dia, quando os funcionários chegaram para trabalhar, encontraram na portaria um cartaz enorme, no qual estava escrito:

"Faleceu ontem a pessoa que atrapalhava sua vida na Empresa. Você está convidado para o velório na quadra de esportes".

No início, todos se entristeceram com a morte de alguém, mas depois de algum tempo, ficaram curiosos para saber quem estava atrapalhando sua vida e bloqueando seu crescimento na empresa. A agitação na quadra de esportes era tão grande, que foi preciso chamar os seguranças para organizar a fila do velório. Conforme as pessoas iam se aproximando do caixão, a excitação aumentava:

- Quem será que estava atrapalhando o meu progresso ?
- Ainda bem que esse infeliz morreu !

Um a um, os funcionários, agitados, se aproximavam do caixão, olhavam pelo visor do caixão a fim de reconhecer o defunto, engoliam em seco e saiam de cabeça abaixada, sem nada falar uns com os outros. Ficavam no mais absoluto silêncio, como se tivessem sido atingidos no fundo da alma e dirigiam-se para suas salas. Todos, muito curiosos mantinham-se na fila até chegar a sua vez de verificar quem estava no caixão e que tinha atrapalhado tanto a cada um deles.

A pergunta ecoava na mente de todos: "Quem está nesse caixão"?

No visor do caixão havia um espelho e cada um via a si mesmo... Só existe uma pessoa capaz de limitar seu crescimento: VOCÊ MESMO! Você é a única pessoa que pode fazer a revolução de sua vida. Você é a única pessoa que pode prejudicar a sua vida. Você é a única pessoa que pode ajudar a si mesmo. "SUA VIDA NÃO MUDA QUANDO SEU CHEFE MUDA, QUANDO SUA EMPRESA MUDA, QUANDO SEUS PAIS MUDAM, QUANDO SEU(SUA) NAMORADO(A) MUDA. SUA VIDA MUDA... QUANDO VOCÊ MUDA! VOCÊ É O ÚNICO RESPONSÁVEL POR ELA."

O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos e seus atos. A maneira como você encara a vida é que faz toda diferença. A vida muda, quando "você muda".

Luís Fernando Veríssimo

publicado por Teca às 23:39
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E tudo mudou...


O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss

O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone

A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento
A escova virou chapinha
"Problemas de moça" viraram TPM
Confete virou MM

A crise de nervos virou estresse
A chita virou viscose.
A purpurina virou gliter
A brilhantina virou mousse

Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal

Ninguém mais vê...

Ping-Pong virou Babaloo
O a-la-carte virou self-service

A tristeza, depressão
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão

O que era praça virou shopping
A areia virou ringue
A caneta virou teclado
O long play virou CD

A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por email

O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do "não" não se tem medo
O break virou street

O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
O piano agora é teclado, também

O forró de sanfona ficou eletrônico
Fortificante não é mais Biotônico
Bicicleta virou Bis
Polícia e ladrão virou counter strike

Folhetins são novelas de TV
Fauna e flora a desaparecer
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato

Chico sumiu da FM e TV
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita?
Gal virou fênix
Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira...

A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida
A violência está coisa maldita!

A maconha é calmante
O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz...

... De tudo.

Inclusive de notar essas diferenças

Luis Fernando Veríssimo

publicado por Teca às 23:36
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Quinta-feira, 8 de Maio de 2008
CAMINHAR NA NOITE

Quando ao redor de ti, sem que esperes,
Tudo fizer-se escuro,
Como se te cercasse um denso muro,
Impedindo teu manso caminhar,
Não temas, espera luzes, irás vê-las
Continue, enfrenta a NOITE, siga,
CAMINHAS SOB ESTRELAS!

Se a noite enluarada, de repente
Se encher de nevoeiro
A encobrir o LUAR por inteiro,
Impedindo teu doce contemplar,
Não temas, espera luzes, irás vê-las
Continua , enfrenta a Noite, siga,
CAMINHAS SOB ESTRELAS!

Por mais cruel que seja a circuntância,
A te envolver, como se fosse o fim,
Tudo dizendo NÃO e nenhum SIM,
Impedindo da paz em ti chegar,
Não temas, espera a calma, hás de tê-la
Continue, enfrenta a Noite, siga,
CAMINHAS SOB ESTRELAS!

(GUIA)

publicado por Teca às 05:13
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O Sopro


A vida é um sopro;
um dilatado relance
que se exerce
sem a ciência de si.
É o tremor tênue da asa da vespa
de um quironomidae
ou do Pássaro do Paraíso.

O vento voeja sempre errante
e só porque é preciso.
Assim como o vento venta
a vida segue
em seu devir diletante
como um sopro ausente
que roça a fronte de um homem feliz.
A vida é o que reluz, num momento
como exato e fugaz brilhante.

É preciso perceber-se a noite calma
que finda-se e o dia lindo em alvorada.
No rodopio, é preciso estar-se cauto e forte.

Um dia, o tal sopro tênue
voará como um cuitelinho furta-cor
que, lépido e suavemente
entoará o firme sonido do silencio
buscando a obscuridade do limbo.

E é nesta hora que o vento que ficar
irá soprar sem sentido.

Ricardo SantAnnAReiS

 


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